Do(s) (1)8 para o(s) 80, uma História de Sustentabilidade Familiar

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a família, só falto eu, o pedro, o fotógrafo

No último Dia das Bruxas, ou Halloween, como preferirem… É que a mim já me custa que esta seja uma tradição importada, e ainda termos de lhe manter o nome estrangeiro… Vou-me ficar pela designação cá da malta!

Voltando ao tema, neste dia, que para mim é mais que tudo o aniversário do meu Pai, o Toni, como o chamamos todos, netos, filhos, sobrinhos, mulher, amigos e por aí fora, completou 80 “biscas”, como ele diz.

Em conversa com as minhas irmãs, a Bá e a Claudete, portanto duas, comigo 3 irmãos e filhos dos meus pais, falávamos sobre os preparativos da celebração e o que haveríamos de oferecer a um Homem numa tão provecta idade… Gosto da expressão!

Entre várias ideias colheu maior consenso um tablet. Mas é preciso que percebam bem o enquadramento. Não se tratava de uma prenda com vista à introdução das novas tecnologias lá em casa dos seniores ou “new agers”, para assim posicionar este artigo a par das tendências do momento. Esse passo já o tínhamos dado há dois anos com a oferta do primeiro “smartphone” a entrar lá na casa dos meus Pais, pelo 78º aniversário do meu Pai.

Essa sim a verdadeira revolução tecnológica da casa dos Avós e também a verdadeira motivação para o tablet… Que eu explico: o meu Pai anda sempre, desde que se familiarizou com o seu novo gadget, com ele atrás. E para quê? Simplesmente para ver tudo o que é futebol e dá na tv, a televisão tradicional, quando não a tem nas proximidades.

Mas o telefone tem um ecrã muito pequeno e o Toni já tem uma vista muito cansada e precisa de ver a imagem maior. E foi esta a principal motivação para a escolha da prenda.

Não vou falar da minha Mãe, porque isso dava mais um artigo ou uma série deles, mas apenas referir que a Lola, como também todos a tratam, não gostou nada da ideia e, para ser brando, fica descontente a toda a hora com esta obsessão do Toni. Apenas para contextualizar, a Lola é uma Septuagenária que se recusa de forma convicta a tomar contacto com tudo o que sejam novas tecnologias.

Voltando ao tablet, tínhamos decidido e a Claudete, a minha irmã mais velha, em conversa com o filho Ricas, meu sobrinhito, que por acaso dá quase dois de mim de altura, tem quase 2,00 metros, e tem mesmo 18 anos, e com o meu Cunhado, Djulai, conversavam sobre a prenda e conversa puxa conversa, e aquele tablet do Ricas, que tá novo e guardado à espera de se tornar obsoleto, mas que está ainda para a as curvas?

O meu sobrinho, o Ricas, como todos os adolescentes, tem para ali uma quase que exclusividade com o seu telefone, que é aquilo que usa para tudo, por isso o tablet está guardado.

Acho que é também importante e justo referir que o Júlio, o meu cunhado, Djulai é mesmo só a minha irmã que lhe chama, é Cabo Verdiano, de uma família de 10 irmãos, da ilha do Fogo, para quem estas novas tendências de sustentabilidade, economia circular e outras tantas do género, que entraram há pouco nas expressões mais utilizadas por todos, não trazem grande novidade, porque na verdade para ele sempre foi uma necessidade e algo lógico reaproveitar, reutilizar, voltar a reaproveitar e voltar a reutilizar, até não poder mais, por necessidade e não por moda. Lembra-me uma frase que vamos ter em breve nos copos da Mercearia Bio Café – faças o que fizeres não me descartes nunca!

E assim foi dada a prenda, num papel com muitos corações e o nome de cada um dentro de cada coração, ainda dentro da caixa original. Para o meu Pai, que, como já tive oportunidade de dizer, tem fraca vista, foi como novo. Não parava de dizer – mas para que foram vocês gastar tanto dinheiro – preocupado com a nossa saúde financeira. E é claro que depois lhe dissemos o que ali estava na verdade.

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o embrulho do tablet

Mas o facto de se tratar de um equipamento já usado não diminuiu em nada o gesto e o valor do presente. Pelo contrário, acho que todos nos sentimos orgulhosos por este gesto que só teve coisas positivas para todos nós Família e para todos vós habitantes do planeta.

E só para rematar, sabem qual foi a prenda que a Clara, minha filha e eu, demos ao meu filho Pedro no passado dia 13? Uma bicicleta em 2ª mão que compramos no comércio tradicional de Portimão, na Torrado Bikes, onde já tinha comprado uma bicicleta nova para a Clara e onde conto comprar ou trocar as próximas que vierem a ser necessárias.

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o toni e o ricas

Saúde Menstrual: Opções mais Saudáveis e Ecológicas

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A pele é um dos maiores órgãos do corpo, uma das suas principais funções é a sua capacidade de absorção através dos poros. Todas as substâncias químicas colocadas na pele entram na corrente sanguínea e são espalhadas pelo corpo.

 

Quando selecciona os seus produtos de higiene menstrual lembre-se de escolher opções saudáveis porque a zona genital tem uma grande capacidade de absorção. Ao utilizar um tampão ou um penso descartável comum as substâncias existentes neles são absorvidas pela mucosa vaginal.

A menstruação faz parte do ciclo reprodutivo da mulher, quando não existe fecundação ocorre a descamação das paredes internas do útero. É estimado que a mulher desde da primeira menstruação à menopausa utilize mais de 8000 produtos higiénicos descartáveis, desde pensos a tampões, os quais tem um grande impacto no meio ambiente.

A maioria destes produtos higiénicos descartáveis tem na sua composição, fibras sintéticas, celulose, viscose, plásticos como o polietileno e o polipropileno, cloro, absorventes derivados do petróleo, látex, agro-tóxicos e produtos químicos, tais como dioxinas, perfumes e corantes.

Existem consequências associadas ao uso dos produtos higiénicos com químicos tais como, inflamações ginecológicas, infeções, irritação vulvovaginal (comichão, ardor, alergias…).

Sabia que já que existem outras opções mais saudáveis e amigas do ambiente?

– Copo Menstrual

– Pensos Menstruais Reutilizáveis

– Pensos e Tampões higiénicos de Algodão Biológico

– Cuecas absorventes

Porque nem todas as mulheres são iguais e têm estilos diferentes, a minha sugestão é que faça escolhas saudáveis e inteligentes para a sua saúde e cuidando simultaneamente do meio ambiente.

Foto M (1)Margarida Martins é natural de Loulé mas escolheu Portimão para viver.

Através da sua experiência como Enfermeira começou a ajudar as meninas, jovens e mulheres a fazerem escolhas inteligentes para terem a saúde física, emocional e mental que desejam.

Uma das suas paixões é a Saúde da Mulher. Nos últimos anos tem vindo a partilhar este tema em workshops, consultas e em grupos de mulheres. Facilita ainda sessões de Renascimento/Rebirthing.

Vive a vida com simplicidade através de estilos de vida positivos e equilibrados.

Kefir é “bem viver”

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Kefir é uma bebida fermentada, com origem nas montanhas do Cáucaso, onde é consumido há milhares de anos, não só pelas suas propriedades nutritivas como também por tradicionalmente, se acredita que confere longevidade. É obtida através da submersão temporária dos “grãos de kefir” num substrato, como o leite, seja ele de origem bovina, caprina ou de ovelha, onde se dá a fermentação.

Também é conhecido com a designação de tíbios, flor de iogurte, cogumelos do iogurte, quefir, kefir, kiaphur, kefer, knapon, kepiand e kippi. O termo kefir, deriva do turco keif que significa “bem-estar” ou “bem viver”.

Os “grãos de kefir” são uma colónia de microrganismos simbióticos, imersa numa matriz composta de polissacarídeos e proteínas, formada por bactérias – lactobacilos e bifidobatérias – podendo conter leveduras. Contudo, a sua composição biológica, química e nutricional, varia conforme a origem e o modo de produção.

É considerado um alimento probiótico, com consistência cremosa e de sabor ligeiramente amargo, que resulta da fermentação do leite, mas tudo vai depender do tempo desta. É obtida pela adição dos “grãos de kefir” ao leite, que vão fermentá-lo, incorporando na sua constituição bactérias e leveduras benéficas, bem como outros nutrientes úteis à saúde.

É bastante rico nutricionalmente, quando comparado ao iogurte, uma vez que possui maior número de bactérias e leveduras, resultante do processo de fermentação, das quais se destacam: L. bulgaricus, S. thermophilus, L. acidophilus, L. casei, entre muitas outras, bifidobactérias e leveduras.

Existem vários estudos que indicam eu o kefir trás imensos benefícios para a saúde, o qual se destaca no equilíbrio da microbiota intestinal, na regulação da tensão arterial, na melhoria de doenças cardiovasculares e perda de peso.

Como cultivar o kefir:

Habitualmente, os “grãos de kefir” são doados e o transporte inadequado pode resultar em contaminações indevidas. A produção é caseira, colocando-se cerca de 2 colheres de sopa dos grãos num frasco esterilizado e seguidamente, cobrem-se com leite a temperatura ambiente (20-28’ C). Deverá tapar-se o frasco com um pano, de modo a que os grãos “respirem”. As bactérias começam-se a alimentar do açúcar do leite (fermentação). Se forem colocados no frigorifico, esse processo fica inativado, ficando as bactérias adormecidas, podendo resistir semanas ou meses. Também podem ser congelados e reativos após anos.

Ao receber os grãos, é importante verificar se a cor e a textura são semelhantes às apresentadas no momento em que foram enviados. Normalmente possuem um tamanho variável de 0,3 – 3 cm, com formato irregular, de cor branco-amarelado, e textura viscosa e firme.

Durante o processo de fermentação é normal que o grão cresça, uma vez que as bactérias estão-se a alimentar. Se eles continuarem miudinhos após uns dias, é sinal de que algo está errado.

Além das culturas do kefir de leite, também existe o kefir de água, na qual são adicionados açucares e/ou fruta para se obter a fermentação. Os grãos são formados por uma massa consistente e gelatinosa, de cor amarelo translucido e de formato irregular e tamanho variável.

Foto Dina Carção

 

Dina Carção, Nutricionista

Licenciei-me na Escola Superior de Saúde de Faro em 2015 e sou membro efetivo da ordem dos nutricionistas desde 2016.

Presto serviços para instituições geriátricas e de educação, assim como, colaboro com entidades de utilidade pública. Atuo na área da nutrição clínica, dando consultas dirigidas a utentes de várias faixas etárias e patologias. Noutra vertente, dou formação na área da alimentação saudável e também da gravidez, da amamentação e da alimentação do bebé até ao primeiro ano de vida. Recentemente, integro a equipa do projeto HOPE.

A minha atuação baseia-se no registo da alimentação saudável e acredito que a alimentação mediterrânica seja a base para um estilo de vida saudável.

 

Crianças Vegetarianas

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A alimentação vegetariana implica um conjunto diversificado de conceitos, variantes, vantagens e limitações para a saúde de quem a pratica, podendo variar entre uma simples restrição a carnes vermelhas ou uma total restrição ao consumo de alimentos de origem animal, bem como de alimentos que na sua produção impliquem o sacrifício animal, em maior ou menor grau.

Entre os vários tipos de dietas vegetarianas, a mais restritiva é a dieta vegan! Com total restrição do consumo e utilização de produtos que possam derivar de origem animal, com motivações não só por questões de saúde, mas especialmente adotada por um conjunto de pessoas que defendem e adotam filosofias de vida orientadas para este comportamento e estilo de vida, não apenas na alimentação.

Existem, em nutrição, conceitos como o valor biológico e a biodisponibilidade dos nutrientes, que correspondem à sua “qualidade” e capacidade que o organismo tem de os absorver e utilizar eficazmente. É também sabido, que o mesmo nutriente, tem biodisponibilidades diferentes de acordo com a sua origem e, no que respeita às proteínas, às vitaminas lipossolúveis, a determinados sais minerais e ácidos gordos essenciais, a fonte de origem animal é essencial. Ou seja, o facto de 100 g de couve galega possuir cerca do dobro da quantidade de cálcio comparativamente a 100 ml de leite meio gordo, não significa, que o primeiro seja mais proveitoso para o organismo humano, antes pelo contrário.

As fases da vida em que existam maior taxa de crescimento, desde a gravidez até à idade adulta, apenas devem ser sujeitas a dietas restritivas em casos pontuais e necessários. Pois todos os nutrientes são essenciais a um ótimo crescimento e desenvolvimento físico, intelectual e cognitivo.

Mais uma vez, a dieta mediterrânica e caracteristicamente portuguesa é das mais completas e equilibradas e, se verificarmos as suas rodas e pirâmides educacionais, com facilidade nos apercebemos que a maior e mais frequente ingesta alimentar deve de facto ser em alimentos de origem vegetal, mas exigindo a necessidade diária de alimentos de origem animal (lacticínios, ovos, carnes e pescado).

Desde a mulher grávida, passando pelo bebé, criança, adolescente e jovem, são exemplos de fases da vida em que é necessário não apenas um consumo alimentar variado, mas também energético, por serem fases de crescimento e desenvolvimento essenciais. Quando restringimos a alimentação e a limitamos apenas a alimentos de origem vegetal, este crescimento e desenvolvimento estão em risco, resultando ou podendo resultar em situações de défices ou até mesmo de doenças.

A substituição total de alimentos de origem animal por alimentos de origem vegetal implica igualmente riscos para a saúde a médio/longo prazo, como no caso do leite e bebida de soja (rica em alumíno, fitatos e fitoestrogénios).

Deste modo, os vegan são considerados grupo de risco em termos nutritivos e consequentemente em termos de saúde em geral. Razão pela qual, devem sempre procurar a ajuda do nutricionista para tentar aproximar a sua ingestão dos valores nutritivos pretendidos e com o devido aconselhamento em suplementação alimentar, essencial desde a primeira infância. As adolescentes e jovens vegan são, de acordo com estudos realizados e, quanto a mim, uma verdadeira preocupação a este nível. Nomeadamente em questão de risco de anemia ferropénica e desnutrição, pois é uma idade em que são muito seletivas, praticando alimentações excessivamente restritivas do ponto de vista nutricional e, acrescendo o facto das perdas sanguíneas durante o período menstrual.

Embora não existam estudos científicos específicos e recomendações acerca da alimentação vegan em idades pediátricas, existem já algumas indicações acerca das alternativas alimentares para estes casos, referindo necessidade de reforçar a ingestão de frutos oleaginosos, leguminosas, cereais integrais e hortícolas e, de que as introduções alimentares dos alimentos de origem vegetal respeitar o preconizado para a alimentação omnívora.

Vanessa do Carmo

 

Vanessa do CarmoNutricionista licenciada na Escola Superior de Saúde Faro, em 2007. Inscrita na Ordem dos Nutricionistas, com larga experiência na área do acompanhamento em nutrição clínica e em instituições de saúde geriátrica e de educação. Acredita piamente que só a educação alimentar e as políticas associadas podem resultar na prevenção de doenças e estados de saúde que debilitam grandemente a nossa sociedade!!! É contra os fundamentalismos e as dietas da moda e defende a riqueza da alimentação mediterrânica.

A Cor da Nossa cozinha

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A população portuguesa consome cerca do dobro da quantidade de sal, que é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (5g/dia), tornando-se essencial diminuir a sua utilização na alimentação, sendo as ervas aromáticas, uma boa alternativa.

Segundo a Direção Geral de Saúde (2013), o atual consumo elevado de sal é uma causa importante de hipertensão arterial e, por conseguinte, de doenças cérebro-cardiovasculares como o AVC e o enfarte do miocárdio, aumentando, também, o risco de doenças renais, tornando-se um grande fator de risco para a saúde.

Como alternativa ao consumo de sal, podemos utilizar nas nossas cozinhas as ervas aromáticas, uma vez que, potenciam o sabor, o cheiro e até a cor aos alimentos, trazendo benefícios de forma positiva para a saúde. Podem ser usadas na preparação ou tempero de saladas, marinadas, sopas, carnes, peixes, chás, compotas, entre outros e também, podem ser usadas frescas ou secas, apesar que depois de secas perderem algumas das suas propriedades.

São fornecedoras de vários nutrientes, como proteínas, vitaminas, minerais, fibras, óleos essenciais e outras substâncias, em que atuam na prevenção do aparecimento do cancro, funcionamento do sistema cardiovascular, reprodutivo e nervoso, e ainda poderão ajudar no sistema digestivo e imunitário. Algumas também são conhecidas pela sua excelente ação antioxidante, como o orégão, o tomilho, a salsa, a salva, o manjericão, entre outros.

 

CARACTERISTICAS DAS ERVAS AROMÁTICAS

Aipo: Possui um sabor ligeiramente salgado, e um único caule é suficiente para condimentar os alimentos. Usado em sopas, saladas, carne estufada ou guisada ou cozida.

Alecrim: Possui um sabor doce e fresco. Usado na preparação de marinadas de carne de porco e borrego, aromatizar a água da cozedura de massas, batatas, arroz, molhos de tomate, saladas e manteigas aromatizadas.

Alho: Acentua o sabor das refeições devido ás suas essências aromáticas, pode ser usado esmagado, picado ou fatiado. Usado para temperar refogados e no tempero de carne, peixe, hortícolas cozidos e também, na preparação de arroz, feijão, pizas e sopas.

Cebola: Pode ser usada de variadas formas, como único ingrediente ou como tempero, seja ela frita, refogada, assada, ou crua em saladas. É um excelente substituto do sal.

Coentros: Tem um aroma especial e característico, que combina muito bem com todo o tipo de peixe. Tanto são usadas as folhas frescas, os caules e até as suas sementes. Usados em saladas, caldos de peixe, arroz, ervilhas, favas, sopas e molhos.

Endro: Pode ser usado tanto as suas folhas como o seu caule, que conferem um sabor forte, picante e apetitoso nos alimentos. Usado na preparação de sopas, saladas, peixes e arroz.

Estragão: Tem um sabor bastante acentuado, e costuma ser usado na preparação de vinagretes, peixes, saladas, molhos, omoletes.

Erva doce/funcho: São usadas tanto as suas folhas, como o seu caule e flores, na preparação de saladas, gratinados ou refogados, molhos, chá e pratos doces.

Gengibre: Apresenta um sabor muito picante e intenso, em pó, fresco, seco, em calda, cristalizado ou em pasta congelada. Usado na preparação de carnes e peixes, bebidas e sumos naturais, chás, sopas, saladas, entre outros.

Hortelã: Também conhecida como menta, tem um cheiro puro e sabor intenso e refrescante. Usado para aromatizar bebidas, tempero de pratos salgados e carnes, sopas, saladas e também no fabrico de rebuçados.

Louro: As folhas são muito aromáticas e possuem um sabor mais intenso depois de secas. Usado no tempero de carnes (porco), peixes, e na preparação de sopas, feijão, ovos e batatas cozidas.

Manjericão: Quanto mais jovens forem os rebentos, mais intenso é o seu sabor e cheiro. Deve ser adicionado em pratos já previamente confecionados de carne, peixe, sopas, massas, cozinhados com tomate e vinagres aromatizados.

Orégãos: Apresenta um sabor intenso, forte e aromáticos. Usado para aromatizar saladas de tomate fresco, molhos á base de tomate, pratos com queijo, carne, peixe, massas, guisados ou estufados.

Salsa: As suas folhas apresentam um sabor intenso e aromático. Deve ser consumida crua, aromatizando sopas, saladas, peixes, carnes, ovos.

Tomilho: Apresenta um cheiro muito suave, semelhante ao da hortelã. Da sua composição nutricional destacam-se as vitaminas B e C e o magnésio.

 

COMO COMPRAR E CONSERVAR AS ERVAS AROMÁTICAS

No momento de comprar as ervas aromáticas, deve-se escolher sempre mais frescas e com maior aroma, para conseguir uma maior durabilidade, embrulhe o seu caule em papel absorvente humedecido ou num pedaço de pano e guarde-as num saco de plástico no frigorífico.

Também poderão ser cortadas e guardadas no congelador, no entanto, podem perder algumas das suas propriedades, uma vez que existe a formação de cristais de gelo, fazendo-as perder o seu poder aromático.

Foto Dina Carção

 

Dina Carção, Nutricionista

Licenciei-me na Escola Superior de Saúde de Faro em 2015 e sou membro efetivo da ordem dos nutricionistas desde 2016.

Presto serviços para instituições geriátricas e de educação, assim como, colaboro com entidades de utilidade pública. Atuo na área da nutrição clínica, dando consultas dirigidas a utentes de várias faixas etárias e patologias. Noutra vertente, dou formação na área da alimentação saudável e também da gravidez, da amamentação e da alimentação do bebé até ao primeiro ano de vida. Recentemente, integro a equipa do projeto HOPE.

A minha atuação baseia-se no registo da alimentação saudável e acredito que a alimentação mediterrânica seja a base para um estilo de vida saudável.

 

Para os nossos bebés…

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O leite materno deve ser o alimento de eleição até aos seis meses de idade, presencialmente de forma exclusiva, pois fornece todos os nutrientes necessários para os primeiros meses do bebé.

Após os seis meses a criança já apresenta maturidade fisiológica e neurológica para receber outros alimentos, pelo que é importante iniciar a sua introdução de forma lenta e gradual.

As necessidades nutricionais da criança já não são supridas com o leite materno, embora este ainda continue a ser uma fonte importante de calorias e nutrientes, podendo ser mantido até os dois anos de idade ou mais.

Os alimentos complementares, especialmente preparados para a criança, são chamados de alimentos de transição. A papa, corresponde a um deles, sendo muitas vezes introduzida.

As papas de compra são, muitas vezes, as escolhidas pelas mães, embora em geral contenham mais açúcares e sejam menos nutritivas do que as feitas em casa.

Algumas têm adição de açúcar e sal para realçar o sabor, a melhorar a textura e para prolongar a validade do produto, o que faz com que os bebés se habituem aos sabores doce e salgado em detrimento da sopa ou da fruta, sem adições.

Mesmo assim, é possível encontrar boas opções no mercado. Nos pontos a seguir, pode aprender a escolhê-las e interpretá-las.

  1. Verifique para que idade a papa é aconselhada

É obrigatório estar na embalagem a idade a partir da qual a papa pode ser incluída na alimentação do bebé.

  1. Verifique a presença ou não de glúten

Qualquer papa permitida a partir dos quatro meses tem de informar sobre a presença de glúten.

Muitos especialistas aconselham a que as primeiras papas introduzidas na alimentação do bebé sejam as papas sem glúten (proteína presente em alguns cereais). Porque,se o bebé tiver doença celíaca (intolerância ao glúten) e consumir papas com esta substância, as consequências serão mais graves até aos seis meses. A imaturidade do aparelho digestivo do bebé tolera mal a ingestão de glúten, podendo determinar graves perturbações gastrointestinais, difíceis de tratar ou de controlar, sobretudo nos primeiros meses vida.

O arroz e o milho não contêm glúten, por isso os ingredientes usados podem ser arroz, milho-miúdo, milho e tapioca.

  1. Tenha em conta os nutrientes

A papa deve, preferencialmente, ser constituída por hidratos de carbono e proteínas. Deve conter vitaminas A, B, C, E e PP, iões e minerais como cálcio, ferro, fósforo e potássio.

  1. Evite a presença de açúcar

A adição de açúcar não deve exceder 10 por cento do total de calorias ingeridas ao longo do dia, pelo que deve optar por papas sem este ingrediente. Se escolher uma papa com açúcar, a quantidade deve ser inferior a 20 por cento do total de calorias. Por exemplo, em 100 g de produto, o valor de hidratos de carbono, dos quais açúcares, deve ser inferior a 20 g.

O enriquecimento em açúcares aumenta o valor calórico das farinhas e pode favorecer a obesidade, bem como o aparecimento de cáries.

  1. Evite a presença de sal

Prefira produtos sem sal ou com um valor inferior a 130 mg de sódio por 100 g.

O leite contém quantidades suficientes de sódio. Não há razão para habituar as crianças ao gosto salgado.

  1. Atente à forma de preparação

Quanto ao tipo de papas, dividem-se em não lácteas e papas de cereais lácteas. As primeiras devem ser reconstruídas em leite materno ou leite de transição e as lácteas, que como o nome indica, contêm proteínas lácteas na sua composição, não necessitam de adição de proteínas, devendo ser preparadas com água fervida.

Em casos mais específicos, como os bebés que tenham histórico familiar de alergia às proteínas do leite animal, deve-se optar por fórmulas lácteas constituídas por proteínas extensamente hidrolisadas. Designadas geralmente com a inscrição “HA”.

  1. Escolha o sabor

A primeira papa do bebé não deve ter um aroma específico, devendo ser apenas de cereais. Após a introdução da sopa, pode iniciar as papas de fruta. Escolha sabores suaves e naturais, como a pera, banana e maçã, pois são igualmente os frutos que geralmente têm menor risco de reações adversas. À medida que introduz novos alimentos, é importante promover a variedade, para garantir que o bebé tem acesso a todos os nutrientes necessários.

Outros aspetos importantes:

  1. Os ingredientes que aparecem em primeiro lugar no rótulo são os que estão presentes em maior quantidade.
  2. Pelo menos, até aos seis meses de idade, deve escolher uma papa sem glúten.
  3. O açúcar pode ter diferentes designações no rótulo. Xarope de milho, xarope de cana, açúcar mascavado, dextrose e frutose são algumas delas.

As minhas sugestões:

Holle Papas não lácteas sem glúten

Holle Papas não lácteas integrais

Topfer papas não lácteas Bio Organic

 

marianaMariana Freitas, nascida e criada em Portimão, licenciada em Dietética e Nutrição pela Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve. Atualmente é membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas e apresenta formação na área da nutrição desportiva, e da gravidez, amamentação e alimentação nos primeiros anos de vida.

Baseia o seu trabalho em consultas distribuídas em vários pontos do Algarve e dirigidas a todas as faixas etárias. As mesmas têm por base reajustar a alimentação do paciente, para que seja mais fácil e efetiva a sua mudança.

Crê que ninguém deve começar uma dieta que termine um dia, mas aconselha a que se crie um estilo de vida que dure para sempre!

A Primeira Dúzia da Mercearia Bio

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Completamos esta sexta-feira, dia 31 de maio 12 anos de Mercearia Bio.

O nosso projeto começou no ano de 2007 e tem sido um caminho muito saboroso e desafiante, a fazer jus ao nome que escolhemos para a empresa – Bio Desafios.

Mas como todas as caminhadas temos tido muitas subidas e obstáculos, que temos ultrapassado com muita perseverança, alegria e Equipa.

Este caminho tem sido recheado de pessoas, Equipa, Fregueses, Parceiros, Fornecedores, Produtores. Muitos a fazer o caminho connosco desde que começamos.

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preparativos para a abertura da mercearia bio café em 2014

Eu, Pedro, a Ana, Sócia Fundadora, e a Helena, Designer e “Mãe” da nossa imagem, os três desde o início, tal como muitos Fregueses e Parceiros.

O Nuno que já vai fazer 10 anos de Mercearia Bio, sempre com toda a dedicação e empenho, desde a primeira hora, e uma simpatia inigualáveis, também com muitas competências adquiridas e desenvolvidas ao longo destes anos.

O Rui mais tarde, ainda nem tinha 18 anos, mas já um Homem. Qualquer dia fazemos-lhe uma maldade e partilhamos umas fotos que temos no nosso baú digital.

O Vítor, o Alvoreiro Pescador com pronúncia do Norte, que é o mais madurinho de todos nós.

A Tatiana, que agora é Part, mas já foi Full, e que nós continuamos a sentir como parte inteira da nossa Equipa.

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já tarde… ainda a preparar a abertura do café em 2014

A Fernanda que se juntou a nós há pouco, mas que já faz parte da nossa Equipa/Família e que, dizem os seus amigos, ficou ainda mais jovem com os ares da Mercearia Bio.

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almoço natal dos biológicos 1 2014

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almoço natal dos biológicos 2 2014

E todos aqueles que já dedicaram uma parte das suas vidas profissionais à Mercearia Bio e de quem temos saudades, o Artur, o Ricardo, o Pedro, a Laura, a Joana vizinha e fornecedora, o Fernando, e os muitos estagiários que passaram já pela Mercearia Bio.

Se dentro de cada um dos doze ovos, que escolhemos para ilustrar esta data, tantos como os anos da Mercearia Bio, ficasse guardado um momento bom desta história para partilhar, já não chegavam os ovos!

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festa dos 10 anos da mercearia bio

 

Azeite, o Ouro Líquido

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A sua história acompanha o Homem, que lhe deu várias utilidades ao longo do tempo. Foi apelidado por Homero de “ouro líquido”, uma vez que serviu durante séculos como real moeda de troca nas mais variadas sociedades. O azeite impõe-se pelo seu aspeto, pelo valor nutricional e pelos seus usos terapêuticos.

É um produto alimentar, usado essencialmente como tempero, produzido a partir da azeitona, fruto advindo das oliveiras. É um alimento antigo, clássico da culinária contemporânea, regular da dieta mediterrânea e nos dias atuais presente em grande parte das cozinhas, uma vez que adiciona à comida um sabor e aroma peculiares.

Possui diversas caraterísticas gustativas definidas pelo tipo de azeitona, conduzindo à preparação ou finalização de diversos pratos. O tipo de solo de plantio, o tempo de insolação e as técnicas de apanha e conserva, alteram o sabor das azeitonas, sendo, deste modo, importante saber algumas características do fruto e a sua origem.

Dessa forma, os azeites podem ser distinguidos pelo seu frutado (indicador de qualidade), pelo amargor e pela picância, propriedades percebidas no momento da degustação. De acordo com o tipo de azeitona e a época da colheita o azeite pode ser muito ou pouco amargo, muito ou pouco picante e ter aromas e gostos verdes ou de frutas. Quanto mais precoce for a colheita mais verde, amargo e picante será o azeite. Quanto mais tardia mais sabor de frutas e menos amargor e picância.

A sua composição química é única, bem como as suas qualidades nutricionais e organolépticas (qualidade percebida pelos sentidos como aroma e gosto) largamente reconhecidas, colocam-no numa posição privilegiada entre todos os óleos e gorduras comestíveis. Com benefícios evidentes para a saúde, comprovados por inúmeros estudos, o azeite é um alimento cada vez mais procurado pelo consumidor e com impacto na economia do nosso país.

anavieja-ENGSão necessárias cerca de 1300 a 2000 azeitonas para produzir 250 ml de azeite, que deve ser extraído somente a partir de métodos mecânicos e de temperatura. Atualmente, os métodos tradicionais de extração de processamento da azeitona, deram lugar a processos modernos de extração, utilizando a variação de pressão e de temperatura.

De acordo com o Regulamento EU 1308/2013, os “azeites virgens” são obtidos por processos mecânicos ou físicos, em condições que não alterem o azeite e que não tenham sofrido outros tratamentos além da lavagem, da decantação, da centrifugação e da filtração. São todos aqueles obtidos através do “sumo” proveniente das azeitonas.

Para se classificarem os azeites é necessário efetuar-se uma análise química e organoléptica, de acordo com o Regulamento (CEE) nº 2568/1991 e suas alterações. Após garantida a sua genuinidade, os azeites virgens, são classificados quanto à sua qualidade, podendo integrar as categorias de “Azeite Virgem Extra” ou “Azeite Virgem”, ambas comercializadas diretamente após a extração, ou de “Azeite Lampante”, de menor qualidade e que só pode ser comercializado após ser submetido às operações de refinação. A refinação permite eliminar as características indesejadas, como acidez elevada ou cheiros e sabores anómalos. O azeite refinado pode então ser lotado como azeites virgens (virgem ou virgem extra), resultando daí o terceiro tipo comercial designado simplesmente por “Azeite”. Este é sempre constituído por loteamento de azeite refinado, não comercializável diretamente como azeite virgem extra ou azeite virgem.

Ainda existe o bagaço de azeitona sendo um subproduto da produção do azeite. anavieja-ENGComposto basicamente pelas cascas, resíduos da polpa e fragmentos do caroço da azeitona, este produto pode ser ainda sujeito a tratamentos com solventes ou a processos físicos para extração da gordura remanescente, resultando o óleo de bagaço de azeitona bruto. Este por sua vez pode sofrer refinação, originando o óleo de bagaço de azeitona refinado. O loteamento do óleo de bagaço de azeitona refinado com azeites virgens origina o óleo de bagaço de azeitona. Assim as categorias que podem ser encontradas à venda são:

  • Azeite Virgem Extra com um grau de acidez inferior ou igual a 0,8%;
  • Azeite Virgem com um grau de acidez inferior ou igual a 2%;
  • Azeite com um grau de acidez inferior ou igual a 1%;
  • Óleo de bagaço de azeitona com um grau de acidez inferior ou igual a 1%.
Uso culinário do azeite por acidez
Tipo Acidez Utilização
Extra Virgem < 0,8% Saladas e molhos
Virgem 1,5% Saladas e molhos
Semifino 3,0% Saladas e frituras
Refinado >3,0% Frituras de imersão
Puro >2,0% Frituras, assados e marinados

O azeite extra virgem é reconhecido pelo FDA – Food and Drug Administration – como um alimento com características funcionais pela sua composição principal em gordura monoinsaturada e antioxidantes naturais. Enquanto que outros óleos são produzidos a partir das sementes, o azeite é o único óleo extraído da polpa da fruta – azeitona – possuindo também, gordura saturada e polinsaturada, como os ácidos gordos ómega-6 e ómega-3, vitaminas, antioxidantes e minerais, além de ser fonte de vitamina E e K.

consultorionutricaoDas todas as gorduras que constituem o azeite, o ácido oleico (gordura monoinsaturada) encontra-se presente em maior quantidade, sendo o responsável por reduzir a inflamação e trazer benefícios relacionados com o cancro.

As gorduras monoinsaturadas são as mais resistentes a temperaturas elevadas, tornando o azeite extra virgem uma escolha saudável para cozinhar. Tem a particularidade de ajudar na elevação do HDL (colesterol “bom”) e na redução do LDL (colesterol “mau”). Deste modo, é recomendado que cerca de 20% das calorias diárias consumidas por uma pessoa, advenham desta gordura.

Considera-se muito nutritivo, uma vez que possui antioxidantes que reduzem o risco de doenças crónicas, além de ajudarem a combater a inflamação e a proteger o colesterol do sangue, reduzindo assim, o risco de doença cardíaca e doença vascular cerebral (AVC).

O azeite possui uma caraterística peculiar que é a resistência à oxidação, uma vez que possui muita gordura monoinsaturada, quase nada de gordura saturada e um pouco de polinsaturada. Mesmo assim, não deve ser conservado por um longo período de tempo, mas em comparação com os outros óleos, é o que possui maior tempo de vida média. O principal fator que ajuda para essa longevidade de conservação, são os antioxidantes derivados do sumo da azeitona. Assim, quanto mais virgem, maior a presença desses componentes naturais.

Outros componentes do azeite, como os polifenóis e as vitaminas, principalmente a E e a K, podem reduzir o seu tempo de vida média, sendo necessário ter um especial cuidado na forma de armazenamento e conservação, mesmo estando longe da luz direta, pois possuem um tempo de vida curta.

Dessa forma, não o guarde! Use-o e aproveite todos os benefícios do azeite!

Dina Carção

Foto Dina Carção

Dina Carção, Nutricionista

Licenciei-me na Escola Superior de Saúde de Faro em 2015 e sou membro efetivo da ordem dos nutricionistas desde 2016.

Presto serviços para instituições geriátricas e de educação, assim como, colaboro com entidades de utilidade pública. Atuo na área da nutrição clínica, dando consultas dirigidas a utentes de várias faixas etárias e patologias. Noutra vertente, dou formação na área da alimentação saudável e também da gravidez, da amamentação e da alimentação do bebé até ao primeiro ano de vida. Recentemente, integro a equipa do projeto HOPE.

A minha atuação baseia-se no registo da alimentação saudável e acredito que a alimentação mediterrânica seja a base para um estilo de vida saudável.

Desafio Zero Desperdício Alimentar

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Numa altura em que a sustentabilidade e os recursos do planeta estão cada vez mais na ordem do dia, decidimos pegar na temática do desperdício alimentar, na sua perspetiva familiar, ou seja aquele que é gerado nas nossas casas, no dia a dia.

Em primeiro lugar importa falar sobre as motivações que nos levam a fazer a nossa primeira incursão nesta área do combate ao desperdício alimentar, à qual pretendemos dedicar muito do nosso tempo no futuro.
A importância de reduzirmos o desperdício alimentar advém do facto de quando temos um alimento na nossa casa, já muitos recursos foram utilizados na sua produção – naturais, trabalho, financeiros, energia, espaço, comunicação, entre outros – pelo que quando descartamos algum alimento ou parte dele não estamos apenas a desperdiçar o dinheiro que por ele pagamos.
lixo01Ora numa altura em que a utilização racional dos recursos que temos é cada vez mais importante, pelo facto de termos um planeta cada vez mais cheio de pessoas e com os recursos mais disputados, torna-se imprescindível que todos estejamos conscientes disso mesmo.
E por isso decidimos escolher esta temática como uma das temáticas em torno da sustentabilidade ambiental e o impacto que nela tem o nosso estilo de vida.
Falando de forma mais prática, ao abordar este tema, o objetivo é chamar a atenção dos nossos Fregueses e públicos com quem comunicamos, para esta problemática, em primeiro lugar tentando ilustrar a grandeza do problema, depois explicando de forma prática o que é exatamente o desperdício alimentar e, por fim,  explicando como o combater.
Poucas são as pessoas que saem de uma grande superfície de comércio alimentar com uma cebola, um tomate e uma alface para ir fazer o almoço. Mas isto acontece realmente na Mercearia Bio Café e em muitos outros estabelecimentos de comércio alimentar tradicional de proximidade. Esta é, por exemplo, uma boa forma de iniciar o combate ao desperdício alimentar – a forma como adquirimos os nossos alimentos.
O comércio tradicional e as ainda mais tradicionais lojas de bairro, constituíam uma forte e abrangente malha comercial e podem perfeitamente voltar a ser uma forma muito eficaz de começar o combate ao desperdício alimentar. Temos mesmo assitido nos últimos anos às grandes empresas de distribuição a dedicarem espaços importantes a esta forma de se apresentarem ao mercado.
Se as nossas compras nos produtos mais perecíveis forem feitas de forma mais regular, quase dia a dia, ou, sempre que possível, refeição a refeição, a nossa capacidade de gestão dos stocks nas nossas despensas é inevitavelmente maior e geramos assim menos desperdício alimentar.
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Um outro conceito muito importante é o do abastecimento feito com base nos produtos da época e nas produções locais, uma vez que representam sempre produtos mais frescos, menos manipulados e transportados, garantindo assim qualidades nutricionais superiores, bem como maior longevidade. Já para não falar na pegada ecológica que é sempre muito inferior.
Outro grande aliado do desperdício alimentar são muitas vezes as promoções, sobretudo aquelas que apelam à compra de mais unidades do que aquelas que nós na verdade necessitamos no imediato e que potenciam não raras vezes o desperdício.
Uma boa programação antecipada do que vamos comprar é também uma boa ajuda, porque ajuda a evitar as compras por impulso, que normalmente se caracterizam por incluirem artigos que não fazem assim tanta falta e que, muitas acabam por ir ficando esquecidos até que é altura de os deitarmos fora.
Podemos sempre tentar cozinhar o mais à medida para cada refeição. Mas e se ainda assim quando cozinhamos, ficarmos com sobras, os chamados restos, o que podemos fazer?
Muita coisa! A primeira é armazenar devidamente os restos para podermos consumir mais tarde, levando para o trabalho ou para a escola uma marmita, promovendo a sua transformação noutros pratos ou simplesmente fazendo a cada 3/4 dias uma refeição com os restos de outras refeições. Pela nossa parte vamos procurar partilhar formas para ajudar a fazê-lo de forma original, criativa e, nalguns casos, até programada.
Para ajudar a refletir sobre a problemática do desperdício alimentar a Mercearia Bio convidou 4 Famílias Freguesas para integrar o desafio “Zero Desperdício Alimentar”. As Famílias irão durante 2 semanas, com início no dia 11 de maio, monitorizar os seus desperdícios alimentares diários. Tentarão assim encontrar formas de reduzir ao máximo o desperdício, para que, no final, a sua, seja a Família com uma menor quantidade de desperdício alimentar.
Brevemente iremos lançar um passatempo num formato aberto a todos os Consumidores que queiram aceitar este desafio. E a Mercearia Bio vai ter prémios para as Famílias menos desperdiçadoras!
Vamos então todos aceitar este desafio e procurar reduzir o nosso desperdício alimentar para assim contribuirmos para uma maior sustentabilidade dos recursos do nosso planeta.
pedrocg

O Bicho (pa)Pão

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SABIA QUE…

  • … o primeiro pão nasceu no egípto, milhares de anos a.c., e era feito a partir de uma mistura de cereais cultivados ao longo das margens do rio Nilo, isento de fermento. Era portanto, uma massa compacta, que começou a ganhar volume com a descoberta do fermento e utilização do forno na sua produção.
  • …. o pão é um alimento universal, base da alimentação humana, tanto em países subdesenvolvidos, como em países em desenvolvimento ou desenvolvidos e característico da alimentação mediterrânica.
  • …. atualmente, em Portugal, a quantidade máxima de sal existente no pão deve atender aos 1,4g por cada 100g de pão, estipulado por lei. Sendo que, até ao final do mês de maio, está a decorrer o processo de inscrição para a atribuição de selos de excelência do programa “Menos Sal, Mesmo Sabor” (promovido Direção Geral de Saúde, Instituto Ricardo Jorge e Ministério da Saúde), onde o objetivo estabelecido às padarias e panificadoras é o fabrico de pão com a quantidade máxima de 1,0g de sal por cada 100g de pão.
  • …. o pão afinal não engorda!!!!

 

O pão

  • …. por definição legal, resulta da mistura básica de farinha de cereais com água, fermento e sal. Sendo um alimento barato, de fácil acesso, simples, pouco processado, pouco calórico e cuja riqueza nutritiva e energética pode variar de acordo com os ingredientes que lhe sejam adicionados (frutas desidratadas, frutos oleaginosos, sementes, azeitonas, produtos lácteos, carnes processadas, gorduras, ervas aromáticas, especiarias, produtos hortofrutícolas…).
  • … pode ser de fabrico tradicional, artesanal, biológico, fresco, de longa duração, simples, com adição de outros ingredientes que o enriqueçam ou simplesmente aumentem quer a sua durabilidade, quer a sua variedade na oferta ao consumidor.
  • ….deve fazer parte da alimentação diária e, tal como indicado quer na Roda dos Alimentos Portuguesa, quer na Pirâmide Alimentar Mediterrânica, corresponde a um alimento base, cuja riqueza nutricional está dependente do tipo de farinhas utilizadas e dos ingredientes adicionados.
  • … não deve ser eliminado da alimentação diária e substituído por tostas industrializadas, ou pior um pouco, por bolachas industrializadas. Atualmente, qualquer que seja o motivo que nos leve a diminuir o consumo de pão, o comportamento deve ser mesmo esse, a diminuição da quantidade ingerida e procura da variedade ou variedades que melhor se adaptam a cada pessoa e não o deixar de consumir.
  • … imagem do conceito que deve ser utilizado no consumo de cereais e produtos derivados, quanto menos refinada for a farinha utilizada no seu fabrico, mais nutritivo e saudável será. Pois considerando o grão completo do cereal e a sua riqueza presente quer no farelo, quer no gérmen, quer no endosperma, apenas mantendo as partes do cereal intactas, como acontece nas farinhas integrais, é possível manter o respetivo valor nutritivo (ácidos gordos polinsaturados; amido; proteínas; vitaminas E e do complexo B e minerais). Ou seja, quanto mais refinada for a farinha utilizada na produção do pão, mais desinteressante e pobre nutricionalmente este se torna.
  • …. pode ser um ótimo fornecedor de fibras alimentares, basta que seja fabricado com farinhas integrais, podendo ter sementes ou passas adicionadas. A riqueza em fibras constitui um dos grandes benefícios no consumo de pão, por todos as vantagens que estas representam para a saúde, no que respeita a diminuição dos valores de colesterol, triglicéridos, tensão arterial, glicemia, regulação do funcionamento intestinal, controle do apetite, prevenção de inúmeros tipos de cancros, entre outras.
  • … pode ser produzido sem recurso à farinha de trigo, eliminado a presença do glúten, que atualmente é frequente ser um dos requisitos básicos de seleção. Contudo, o glúten, funciona, na produção do pão, como um elemento base nas características de viscosidade, elasticidade e resistência da massa, pelo que, perante a sua ausência, torna-se necessário o recurso a técnicas alternativas para assegurar estas características.
  • …. pode e deve fazer parte das merendas diárias (escolares, no trabalho, em casa) e, em determinadas refeições principais, pode representar a alternativa energética, em substituição de outros alimentos fornecedores de elevadas quantidades de hidratos de carbono mais tradicional e frequentemente consumidos (batata, arroz, massa). Quem não prefere a sardinha no pão, o carapau alimado empurrado com pão, o pão molhado no azeite do peixe cozido ou no molho da salada de tomate, as açordas e migas prensadas, as sopas e ensopados com pão torrado, as sopas de tomate com base de pão, o petisco de verão com pão com manteiga, a sandes de queijo fresco com alface e tomate na praia, o chá de inverno com torradas, etc. Tendo o devido cuidado e orientação (de acordo com as necessidades energéticas diárias individuais) nas quantidades ingeridas.

 

Como em tudo na alimentação, o segredo não é eliminar o pão, mas sim selecionar o melhor de acordo com a oferta, variando e controlando quer as quantidades, quer a frequência no consumo.

E, para terminar, quanto a mim, o verdadeiro papão não é o pão, não é o glúten, não é o fermento, mas sim a industrialização alimentar e todos os aditivos utilizados para aumentar grandemente a duração e o valor energético dos alimentos (especialmente gorduras saturadas e hidrogenadas e açúcares)!!!!

Vanessa do Carmo

 

Vanessa do CarmoNutricionista licenciada na Escola Superior de Saúde Faro, em 2007. Inscrita na Ordem dos Nutricionistas, com larga experiência na área do acompanhamento em nutrição clínica e em instituições de saúde geriátrica e de educação. Acredita piamente que só a educação alimentar e as políticas associadas podem resultar na prevenção de doenças e estados de saúde que debilitam grandemente a nossa sociedade!!! É contra os fundamentalismos e as dietas da moda e defende a riqueza da alimentação mediterrânica.